Cego desde a infância, Patrick virou mecânico e monta motores pelo tato. Agora ele precisa de espaço para continuar trabalhando
Patrick Liaschi Marçal tem 34 anos e é mecânico em Cornélio Procópio, no norte do Paraná. Ele perdeu completamente a visão dos dois olhos ainda na infância e hoje conserta carros e motos usando o tato, a audição e a tecnologia. Pouco depois de criar o perfil da oficina no Instagram, uma das publicações dele passou de 3,3 milhões de visualizações e a história ganhou repercussão nacional.
Patrick nasceu prematuro, de aproximadamente sete meses. Desde criança enfrentava alto grau de miopia e estrabismo. Aos 9 anos, uma queda desencadeou um descolamento de retina. Vieram consultas, tratamentos, cirurgias mal sucedidas e complicações que levaram à perda total da visão. A partir dali, ele precisou reaprender a viver e encontrar novas formas de fazer o que para os outros parecia simples.
Ao longo da vida, Patrick trabalhou em áreas administrativas, fez cursos de informática e atuou com telemarketing. Aprendeu a tocar instrumentos de forma autodidata, montou o próprio estúdio de produção musical e, por um período, a música foi a profissão e a principal fonte de renda dele. A pandemia mudou os planos e derrubou o trabalho no setor musical.
Foi então que ele se aproximou da mecânica automotiva, que também tinha sido o ofício do avô. À primeira vista, uma escolha improvável: como alguém que não enxerga poderia consertar carros? Patrick não viu ali um limite. Procurou cursos, estudou, encontrou professores que acreditaram nele e ainda se especializou em mecânica de motocicletas.
Ele desenvolveu uma forma própria de trabalhar. Ao conhecer um veículo, tateia as peças e as ferramentas para identificar cada componente, a posição e as características de todos eles, e constrói mentalmente um mapa daquele carro. O tato e a audição viraram as ferramentas principais: ele identifica sons, vibrações, folgas e diferenças entre peças, e usa tecnologia acessível nos diagnósticos. Hoje ele executa os serviços sozinho e, quando a tarefa exige leitura visual, conta com a ajuda da esposa, de amigos ou contrata apoio.
Patrick começou praticamente sem estrutura, com poucas ferramentas e um macaco. Antes de ter oficina, trabalhava na calçada da casa dos pais. Um dos primeiros serviços marcantes foi um Monza que precisava de reparo no motor e retífica de cabeçote. Deu certo, e o carro roda até hoje. A confiança dos primeiros clientes trouxe outros, e com o dinheiro do próprio trabalho ele foi comprando ferramentas e montando a estrutura. Assim nasceu, há quatro anos, a Marçal Mecânica Automotiva.
Ao lado dele está a esposa, Bianca, que acreditou no projeto desde o começo. Hoje os dois tocam a oficina juntos, Patrick na parte técnica e Bianca na administração, no marketing e na comunicação. Eles são pais de um menino de 3 anos, e a oficina é a única fonte de renda da família.
O problema é que a oficina funciona na garagem da casa alugada onde eles moram, e o espaço comporta cerca de três carros. Quando chega mais um veículo, ele fica na rua. Muitas vezes Patrick precisa recusar serviço só por falta de espaço físico. A estrutura atual também não permite instalar equipamentos importantes, como um elevador automotivo, o que limita o tipo de serviço e torna algumas tarefas mais difíceis e perigosas do que deveriam ser.
Patrick não está pedindo ajuda para sobreviver. Ele está pedindo espaço para trabalhar. O objetivo é alugar um barracão adequado, com estrutura para instalar um elevador, organizar os equipamentos, receber mais veículos e oferecer mais segurança no atendimento. Ele já provou que consegue trabalhar sem enxergar. Agora precisa de espaço para continuar enxergando um futuro melhor através do próprio trabalho.
Como sua doação vai ajudar
- Aluguel e adequação de um barracão para transferir a oficina da garagem
- Instalação de elevador automotivo, hoje impossível no espaço atual
- Compra de ferramentas e equipamentos que ampliam os serviços que Patrick pode aceitar
- Melhoria das condições de segurança no dia a dia de trabalho
- Mais estabilidade de renda para Patrick, Bianca e o filho de 3 anos
Transparência
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