Aos 32 anos, Keven depende de alguém 24 horas por dia até para beber água. A esposa dá banho nele na garagem porque o banheiro é pequeno demais

Keven tem 32 anos e mora em Araquari, em Santa Catarina, com a esposa, Crislaine, e os três filhos, de 5, 11 e 16 anos. Trabalhava havia pouco mais de dois anos como montador de estruturas metálicas, na obra de um shopping da cidade, e tinha acabado de começar a faculdade de Engenharia Civil porque queria crescer na profissão.

Em abril de 2025, tirou 20 dias de férias. Mesmo de folga, não parou: pegou uma moto emprestada e passou as férias trabalhando como motoboy, para que não faltasse dinheiro em casa.

No último dia de férias, 13 de abril, Keven viajou ao Paraná. No caminho, foi atingido por um tiro durante uma abordagem policial. A bala está alojada no corpo dele até hoje.

Crislaine só ficou sabendo às três e meia da tarde, mais de sete horas depois. Keven tinha sido levado a uma UPA e, pela gravidade, transferido para um hospital em Ponta Grossa. Foi uma assistente social que conseguiu dele o número da irmã, e foi assim que a família soube. Naquela mesma noite, com um casal de amigos, Crislaine pegou a estrada e chegou ao hospital perto das dez horas.

Nos primeiros dias, o médico disse que Keven logo voltaria para casa. Com os filhos esperando, Crislaine retornou para Araquari depois de três dias. No dia seguinte, veio a notícia: o corpo de Keven tinha simplesmente desligado. Ele não falava, não comia e não conseguia engolir nem a própria saliva. A secreção foi para os pulmões, e ele teve uma pneumonia grave. Foi levado às pressas para a UTI.

Foram cerca de 14 dias entre a vida e a morte. Um dos pulmões chegou a fechar completamente. Sem carro e sem dinheiro, Crislaine pedia ajuda a conhecidos para pagar as caronas de quatro a cinco horas até o hospital.

Em uma dessas visitas, ela se ajoelhou ao pé da cama, dentro da UTI, e pediu a Deus uma segunda chance: que Keven pudesse ver o filho crescer e voltar para casa com ela, mesmo sabendo o quanto seria difícil cuidar dele. No mesmo dia, o médico a chamou para conversar. Disse que Keven não estava reagindo e que era hora de avisar a família e os amigos, porque talvez ele não resistisse.

Crislaine voltou para casa em um ônibus que atrasou quase quatro horas e só chegou às seis da manhã. Dias depois, recebeu a notícia que tanto pediu: Keven estava respondendo ao tratamento, e a pneumonia tinha ido embora.

Quando ela e a irmã de Keven foram vê-lo, ele estava acordado, mas confuso, falando coisas sem sentido. Crislaine perguntava ao médico se a cabeça dele voltaria ao normal, e a resposta era que só o tempo diria. E voltou. Hoje, Keven está completamente lúcido.

Quando ele saiu da UTI, Crislaine foi autorizada a ficar no quarto. Passou 10 dias no hospital aprendendo a trocar, dar banho e cuidar do marido. Keven teve alta em 13 de maio, depois de 30 dias internado.

Hoje, Keven não mexe as pernas nem as mãos. Com a fisioterapia, recuperou um pouco do movimento dos braços, mas depende de alguém 24 horas por dia para tudo: beber um copo de água, se alimentar, se virar na cama.

A volta para casa foi o começo de outra batalha. A família morava de aluguel em um geminado, e a sala virou quarto. Keven dormia na cama e Crislaine, no chão ao lado, para cuidar dele. Durante três meses, ele não conseguia dormir nem de dia nem de noite, e ela chegou ao limite do cansaço.

Desde então, a família já mudou de casa duas vezes em busca de um lugar melhor. Hoje paga R$ 1.700 de aluguel, além de água e luz. Mesmo assim, a casa não foi feita para ele. O banheiro é pequeno demais para Crislaine entrar com Keven, e ela dá banho nele na garagem, que é toda aberta.

Apesar de tudo, Keven é um homem feliz. Lúcido, inteligente, enxerga o lado bom da vida e acredita que ainda pode melhorar. E tem ao lado uma mulher que não pensa em desistir: "Por mais que seja o trabalho, o cansaço físico e psicológico, eu nunca pensei em desistir dele. Nunca."

O sonho da família é uma casa própria e adaptada, onde Keven possa ser cuidado com segurança. Mas, antes disso, o que eles pedem é o básico para seguir de pé: um teto, os cuidados de todo dia e a dignidade que um homem de 32 anos, cheio de sonhos, merece.

Como sua doação vai ajudar

Desde que foi baleado, Keven depende de cuidados 24 horas por dia, e Crislaine deixou tudo para cuidar dele. Sua doação vai garantir o que a família precisa hoje e ajudar a construir o futuro:

  • Manter a família sob um teto: pagar o aluguel de R$ 1.700, além de água e luz, para que Keven não corra o risco de ficar sem casa enquanto se recupera.
  • Garantir os cuidados do dia a dia: fraldas, medicamentos e fisioterapia, que são indispensáveis para a saúde e a dignidade do Keven.
  • Tirar o banho da garagem: comprar equipamentos como cadeira de banho, cama hospitalar e colchão especial, que tornam o cuidado mais seguro e seguem com ele para a futura casa.
  • Realizar o sonho da casa própria adaptada: tudo o que for arrecadado além das necessidades imediatas será reservado para a compra de uma casa térrea e acessível, onde Keven possa viver com segurança.

Transparência

Todas as campanhas da Ajud.ar Brasil são verificadas: a documentação e os laudos médicos são analisados pela nossa equipe antes da publicação, e os valores arrecadados são repassados ao beneficiário com acompanhamento de perto. Siga @ajudarbr e @ajudarbrasilong para acompanhar as atualizações do Keven e de outras histórias que estamos ajudando a transformar.

R$ 478,00 captados da meta de R$ 100.000,00

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