Maria Anne tem xeroderma pigmentoso e fugiu do sol por 27 anos. A chance de operar chegou, mas é em São Paulo, e ela não tem como chegar lá

Maria Anne Ellen da Silva nasceu em 1998 e mora em Ilha Grande, no litoral do Piauí, com a mãe, dona Francisca Vanda. Ela tem xeroderma pigmentoso, uma doença genética rara em que a pele não repara o dano causado pela luz do sol. Cada minuto exposto vira lesão, e cada lesão pode virar câncer.

O diagnóstico veio quando ela tinha 2 anos.

O que aconteceu depois está nos prontuários. Aos 9 anos, foi levada em caráter de urgência ao Hospital das Clínicas, em São Paulo, com uma lesão na pálpebra do olho direito que crescia havia seis meses e outra na narina. Aos 11, veio o registro de melanoma maligno na pálpebra. Aos 15, os exames mostravam carcinomas em vários pontos do corpo. Ao todo, foram seis cirurgias e duas biópsias no Hospital São Marcos, em Teresina, incluindo reconstrução total de pálpebra.

O preço mais alto foi cobrado nos olhos. A visão dela é de 20/150 em um olho e 20/200 no outro, e não melhora com óculos. O diagnóstico é visão subnormal em ambos, e ela precisa de acompanhante para atividades do dia a dia. O relatório médico de dezembro de 2025 registra que, pela gravidade do quadro e pelo risco de malignização das lesões, ela está impossibilitada de trabalhar.

Ela também não tinha como pagar a cirurgia. O tratamento particular em Teresina foi orçado em cerca de R$ 44 mil, só para um olho.

Foi aí que a porta abriu. Uma assistente social da Casa Santa Teresinha, em São Paulo, entrou em contato e está conseguindo para ela uma consulta com cirurgião ocular pelo SUS, no Hospital das Clínicas. A casa de apoio garante hospedagem e alimentação durante os dias da consulta. Se tudo correr bem, a cirurgia vem em seguida, também pelo SUS.

Nas palavras dela: "Por isso, o foco da campanha mudou. Agora preciso arrecadar recursos para conseguir realizar essa viagem e me manter durante esse processo."

O tratamento deixou de ser o problema. O problema virou a distância.

De Ilha Grande até Teresina é estrada. De Teresina até São Paulo é avião. E são duas passagens, porque a mãe precisa ir junto: sem enxergar, Maria Anne não faz esse trajeto sozinha.

Ela também vai sair de um dos lugares mais quentes do Brasil para passar semanas em São Paulo. Não tem roupa de frio. Não tem mala. Precisa levar o que mantém a pele dela hidratada e os colírios que usa todos os dias, porque isso não pode faltar em nenhum momento.

É por isso que essa campanha existe. Não para pagar uma cirurgia, mas para colocar duas mulheres do interior do Piauí dentro de um avião e sustentá-las em São Paulo pelo tempo que for preciso.

Como sua doação vai ajudar

Passagens de ida e volta de Teresina a São Paulo para Maria Anne e para a mãe, que a acompanha por causa da baixa visão

Transporte de Ilha Grande até Teresina e deslocamentos dentro de São Paulo, entre a casa de apoio e o hospital

Itens básicos de viagem que ela não tem: malas, mochilas, roupas de frio, calçados, roupas íntimas, pijamas, lençóis e produtos de higiene

Produtos de hidratação da pele e colírios de uso diário, que não podem faltar em nenhum dia

Medicamentos de uso contínuo e prescritos durante o processo

Reserva para o prolongamento da estadia caso a cirurgia seja marcada, e para as despesas que aparecem no caminho

Chave PIX: anne@ajud.ar

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