Disseram que a cesárea mataria a mãe. A filha nasceu sem oxigênio. Trinta e um anos depois, dona Beth e o marido cuidam da Andressa todos os dias

Eles deram a vida inteira para a filha. Agora precisam de uma cadeira de rodas, de um banheiro seguro e de um chão que não machuque.

O parto da Andressa deveria ter sido cesárea. Quando o médico percebeu que era esse o caminho, já não dava mais tempo. Chamaram a sogra da dona Beth, que era quem a acompanhava, e disseram sem rodeios: se fizessem a cesárea naquela altura, a mãe provavelmente não sobreviveria.

O parto seguiu como parto normal. A Andressa nasceu sem oxigenação, com o rostinho já marcado pelo tempo a mais que passou para nascer. Ela não chorou. Foi levada direto para a incubadora e, ali, começaram as convulsões, uma atrás da outra, por cerca de dez dias seguidos. Quando as crises finalmente pararam, veio algo pior: o silêncio. A bebê ficou parada, sem abrir os olhos, como se estivesse em coma. Só com mais de seis meses de vida a família viu a primeira reação. Um olhar que respondia. Um sinal de que ela estava ali dentro.

Foi em São Luís, no Hospital Sarah, que os exames confirmaram o que ninguém queria ouvir: paralisia cerebral. De Codó até São Luís são 300 quilômetros, e a dona Beth fez esse trajeto de ida e volta durante 15 anos, sempre carregando a filha no colo.

Ela tinha 22 anos quando a Andressa nasceu. Era jovem, tinha uma vida inteira pela frente, planos, tempo. E, do jeito como ela mesma conta, quando a realidade chegou existiam apenas duas escolhas: largar ou abraçar. Ela e o marido abraçaram a filha e esqueceram de si mesmos. Trinta e um anos depois, ela não hesita ao falar sobre isso: "Passei por muita dificuldade, mas nunca passou pela minha cabeça abandonar minha filha."

Hoje a Andressa não tem coordenação motora e depende dos pais para absolutamente tudo. Escovar os dentes. Trocar a fralda. Comer. Mudar de posição. Se mover. São 31 anos sem pausa e sem folga, com o revezamento acontecendo só entre os dois. O laudo médico registra o uso diário e contínuo de fralda adulta, por perda do controle esfincteriano decorrente da doença de base, além do uso regular de medicação contínua. O próprio médico que a acompanha pediu, por escrito, apoio para a compra de fraldas descartáveis, dos medicamentos e dos itens de higiene pessoal dela.

A casa onde a família mora não tem acabamento. O piso é cimento cru, e é sobre esse chão que a dona Beth precisa deitar a filha várias vezes ao dia, sempre colocando um pano por baixo para tentar proteger a pele dela. O banheiro não é adaptado. Não tem barra de apoio, não tem estrutura para o banho de alguém que não sustenta o próprio corpo. A Andressa já caiu ali dentro e se machucou. A cadeira de rodas que ela usa foi comprada quando a Andressa tinha por volta de 11 anos e hoje já não serve mais para o corpo dela.

Cada uma dessas coisas parece pequena vista de fora. Juntas, elas são a diferença entre viver com dignidade e apenas sobreviver dentro da própria casa. A dona Beth e o marido já fizeram tudo o que estava ao alcance deles. Deram a juventude, deram a vida profissional, deram as noites de sono, deram os 300 quilômetros de estrada repetidos por 15 anos, e nunca cogitaram desistir da filha. Mas amor não levanta parede, não instala barra de apoio e não compra cadeira de rodas. Chegou a hora de alguém cuidar um pouco de quem passou a vida inteira cuidando.

Como sua doação vai ajudar

Sua doação será destinada a:

Uma cadeira de rodas adequada ao tamanho e às necessidades atuais da Andressa
A adaptação do banheiro, com barras de apoio e estrutura segura para o banho
O acabamento do piso da casa, para que ela possa ficar no chão sem risco de se machucar
Os medicamentos de uso contínuo prescritos
Fraldas descartáveis e itens de higiene pessoal, conforme solicitação médica
Deslocamentos para consultas e acompanhamento médico

Sobre esta campanha

Apuramos e verificamos todas as histórias antes de publicar, com documentação e laudos médicos. Os repasses são feitos diretamente para a família, e depois do encerramento da campanha mostramos publicamente o destino de cada doação.

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